09/04/10

PEPAC esmiuça as profissões

Ao consultar as informações gerais de candidatura ao Programa de Estágios Profissionais na Administração Central (PEPAC), fiquei com sérias dúvidas se preenchia os requisitos quando abri o link https://www.bep.gov.pt/docs/PEPAC/InformacoesGerais.pdf. Segundo a informação que consta no site, o Programa destina-se a jovens que preencham, entre outros, os seguintes requisitos:
a)” Sejam jovens à procura do primeiro emprego, desempregados à procura de novo emprego ou jovens à procura de emprego correspondente à sua área de formação e nível de qualificação”;
Até aqui tudo muito bem, sou jovem à procura de emprego correspondente à minha área de formação.
b) “Nunca tenha tido registos de remunerações em regimes de protecção social de inscrição obrigatória”;
Ok, mas eu já fiz descontos para a inSegurança Social. E agora?
c) “Não tenha exercido uma ou mais actividades profissionais por um período de tempo, seguido ou interpolado, superior a 12 meses”;
Pois, mas já trabalho há dois anos na mesma merda e não é por gosto…será que posso candidatar-me?
d) “Não tenha exercido actividade profissional correspondente à sua área de formação e nível de qualificação, por período superior a 36 meses, seguido ou interpolado”. Ah! Já estava a ficar assustada, afinal posso candidatar-me. Nunca trabalhei tanto tempo na minha área de formação. Os estágios não remunerados contam?! Era o que faltava!!! e)” Se encontre a prestar trabalho em profissão não qualificada integrada no grande grupo 9 da Classificação Nacional de Profissões.”
Estou salva! É óbvio que me encontro a trabalhar em profissão “desqualificada”!
Só para ter a certeza que sou considerada uma “profissional não qualificada” segundo a Classificação Nacional das Profissões, pois eu cá não tenho dúvidas nenhumas, fui espreitar o elenco do grupo 9 na área Legislação e Documentação Relevante.
O vídeo da “Bimba das Ále Stáres” é bom, mas este pdf tem muito mais piada! Conseguiram “esmiuçar” em sub pontos, de pontos de sub grupos, de sub grandes grupos, do GRANDE GRUPO 9, a classificação dos Trabalhadores Não Qualificados, chegando ao ponto de ensinarem a executar algumas tarefas. O meu preferido é o sub ponto 9.1.2.0.05, no qual se inscreve a profissão de Engraxador:
Limpa e engraxa calçado na via pública, em engraxadorias, cafés e outros estabelecimentos: coloca talas de plástico ou cabedal no interior do sapato, a fim de proteger a meia; limpa o pó ao sapato, esfrega-o com uma escova embebida numa solução de anilina ou outro produto e escova-o; aplica pomada no calçado e dá-lhe brilho utilizando escova e pano; limpa calçado de camurça ou outro material semelhante utilizando, entre outros, escova de arame e lixa; recebe a importância relativa ao serviço prestado.”
Mas será que alguém tem dúvidas sobre as funções de engraxador? Depois desta descrição detalhada sobre o que é que um engraxador faz, se algum jovem licenciado que eventualmente terá prestado este tipo de serviços, contudo, não colocou uma tala no interior do sapato para proteger a meia do cliente, ficou com algumas dúvidas se poderá ou não candidatar-se a este programa, poderá desfazê-las no sub ponto 9.1.2.0.90, uma vez que este refere “Estão aqui incluídos os engraxadores e trabalhadores similares que não estão classificados em outra parte.”. Bem, se és licenciado, tens menos de 35 anos e és engraxador, parabéns! Podes candidatar-te ao PEPAC, mesmo que não limpes o pó ao sapato, antes de aplicares a anilina, pois estás salvaguardado pelo sub ponto 9.1.2.0.90. No entanto, o mesmo tipo de esclarecimento não é válido para o Trabalhador de Recepção de Tomate, no sub ponto 9.3.2.2.70. Segundo o GRANDE GRUPO 9, este tipo de trabalhador “Efectua a recepção e descarga de tomate em tanques para posterior transformação fabril”. Ora, se és licenciado e preparas a descarga do carro transportador, colocando a extremidade da mangueira da água sobre o depósito de tomate da viatura e posicionas a calha da recepção junto à comporta de saída do tomate, podes candidatar-te ao PEPAC. Mas atenção! Se fores Trabalhador de recepção de outra coisa qualquer, ou mesmo de tomate cherry, por exemplo, é melhor informares-te se estás incluído nesta classificação profissional, já que não há nenhum ponto dos Trabalhadores Não Qualificados da Indústria Transformadora que refira “Estão aqui incluídos (…) trabalhadores similares que não estão classificados em outra parte”. É incrível como é que conseguiram ser tão precisos em alguns pontos e tão desleixados noutros. Isto faz-me pensar que esta classificação foi feita por um bipolar e aprovada por um míope.
Li o documento de fio a pavio, fiquei indecisa se havia de rir, chorar, ou fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Confesso que gostava de saber quem escreve estas coisas, ou melhor, quem as aprova. Às tantas esqueci-me do que estava a fazer e já estava a ver isto como um sketch do gato fedorento. Não cheguei a conclusão nenhuma sobre o meu caso, pois a minha profissão (não qualificada) não se inscreve directamente em nenhum dos pontos, sub pontos, filhos ou netos dos pontos. O mais parecido com “robot simpático” que trabalha em “tele-fábrica” do Séc.XXI, vulgarmente conhecido como “Assistente de apoio ao cliente”, em call-center, é o Vendedor por Telefone, no sub ponto 9.1.1.3.05. Nesta categoria profissional, entre outras coisas, o Vendedor por Telefone “liga o número pretendido e anuncia o produto e/ou serviço, evidenciando as suas qualidades comerciais, vantagens e/ou características técnicas”. Eu não ligo para ninguém, limito-me a atender chamadas e a minha função principal não é vender coisa alguma, já que estou a guardar a pró-actividade para outro emprego que seja digno do meu esforço. É óbvio que me inscrevo neste grupo de anormais não qualificados, pois nem quero pensar que os critérios de selecção de preenchimento dos requisitos são rígidos ao ponto de não incluírem a minha profissão nesta categoria. Se não está nesta categoria, onde está?!
Já nem falo no miserável número de vagas disponibilizadas para os estágios nas áreas criativas, nem no ridículo método de selecção dos estagiários. Já que é tão taxativo, porque é que não se pouparam ao trabalho de criar o formulário de candidatura, cujas tipologias são absurdas, e pediam apenas o número de contribuinte a cada candidato?! Acredito que para fazer um brilharete em dados estatísticos, sobre a criação de não sei quantos postos de trabalho dito qualificado, que convínhamos é esse o propósito deste programa, facilitaria todo o processo.
As candidaturas são aceites até amanhã e claro está que já apresentei a minha. Declarei que toda a informação prestada é verdadeira, mas francamente já não me lembro da minha média de fim de curso e muito menos da do 12º ano. Vou ver ao certificado de habilitações? Obrigada, mas não tenho, nem pretendo ir à UBI buscá-lo por vários motivos que não vou explicar agora (sim eu sei que para estes empregos da treta no serviço público é preciso ter um). Seja como for, não é por ter concorrido ao PEPAC que deixo de achar este programa uma anedota pegada, principalmente na parte em que “esmiúçam” as profissões não qualificadas. Aquele documento é hilariante! Conseguiram descrever algumas profissões com uma minúcia doentia, enquanto outras foram deixadas à responsabilidade do subentendido. Nao é novidade nenhuma que o desemprego, o trabalho precário, ou temporário (para mim é a mesma coisa) é uma realidade dos jovens licenciados com menos de 35 anos (e com mais também). É o meu caso, é o caso dos meus amigos, é o caso da maior parte das pessoas que eu conheço, neste contexto. Somos todos “trabalhadores não qualificados”, mas sinceramente não conheço nenhum licenciado que engraxe sapatos, apanhe tomates, recolha algas ou outros moluscos, seja sacristão ou coveiro… E os jovens com especialização tecnológica em cursos pós-secundários não superiores, que conferem uma qualificação profissional de nível 4?! Esqueceram-se deles? Por último, sinto-me na obrigação de apelar ao bom senso dos senhores cuja função é definir os requisitos de candidatura ao PEPAC, assim como àqueles que determinam o que é considerado trabalho não qualificado, para acrescentarem nesse GRANDE GRUPO 9 da Classificação Nacional das Profissões, entre outros pontos, a sua própria profissão, pois não estão a prestar um trabalho de qualidade.

08/04/10

Na linha de montagem

O encerrar da reunião de tupperware dá lugar a novos turnos de proletariado. O facto de inúmeras vezes designarem os operários como empresas, isto é, OPERADORES, não é motivo para os deixar mais satisfeitos: dirigem-se igualmente cabisbaixos para as catacumbas, prontos para se sentarem num lugar ainda quente e misturarem os seus micróbios com os de outras espécies em extinção, cujo turno termina ainda a tempo de assistirem às 9 novelas da noite. Com apenas uma sombra do lado direito programada para repetir "Já está?" e uns cliques no rato pegajoso, se o operário não vomitar para o lado depois de fazer um Zoom In ao teclado, poderá então considerar-se o antónimo de "sem siebel" e no seu habitat natural, que é a linha de montagem.

16/12/09

27/07/09

Aquilo que nunca foi

Ele — Bom-dia. Ela (Bastante depois.) — Bom-dia. (Sorri-se.) Ele — Faz-me o favor. Sabe dizer-me o nome deste sítio? Ela — Aqui não é sítio nenhum. Ele — É a primeira vez que estou em sítio nenhum. Ela — Para onde é que o senhor deseja ir? Ele — Para sítio nenhum. Vou de passeio. Ao acaso. Gosto de saber os nomes por onde ando. Ela — Aqui não tem nenhum nome. Ele (Olhando a cena.) — Uma casa. Não se faz uma casa em sítio nenhum. Ela — Isto esteve para ser um sítio com um nome. O senhor viu aqui uma casa. Chama a isto uma casa? Ele — Os restos de uma casa. Ela — Nem isso. Também não. Não chegou a ser uma casa. Ficou a meio. Ele — Não passou das paredes. Ela — Ficou parada à nascença. Para sempre. Ele — Não parece obra recente. Ela — Nem antiga. O que é velho parece antigo. Mas o antigo não envelhece. Ele — Esta ficou no começo e envelheceu. Ela — Envelheceu parada de nascença. Ele — Ruínas do que não se fez. Ela — Bastante modernas. Ele — Por qualquer razão não foi adiante. Ela — Não foi. Não foi uma casa. Almada Negreiros, Deseja-se Mulher (excerto)

Amado Souza-Cardoso

23/07/09

Inspiração do dia seguinte…

A inspiração é como o período nas mulheres, surge quando menos se espera. E quanto mais se espera menos se recebe. O que lembra outra analogia, diferente no seu expoente mas com um denominador comum: a mulher. O expoente seria o objectivo. E no que toca ao expoente, a mulher não aprecia propriamente os dias premiados pela sua fertilidade desperdiçada. Mas quando estes não lhe saem na rifa o caso muda de figura, estuda minuciosamente o calendário, o mês, conta ansiosamente os dias de intervalo entre um sorteio e outro. Às vezes o prazo deste já passou, ou então, a mulher jogou nos números errados. O mesmo se passa com a inspiração…às vezes só no dia seguinte…

Meias verdades...

Se mentir bem é complicado, pior será dizer a verdade. É difícil expressá-la concretamente, não é que me faltem os termos, mas falta-me o jeito, ninguém gosta de a ouvir…digo que não sei…mas não é verdade…caso contrário não a mencionaria, já que não me apetece mentir. Se não existisse nada, não escrevia e o nada não é nada, ou melhor, é nada, zero, não tem passado, nem presente. Logo, seguindo esta linha de raciocínio, a verdade a que me refiro, encontra-se entre o nada e o qualquer coisa. A maior das dificuldades será determinar se o x existente entre o nada e o qualquer coisa passará de verosímil a verdade propriamente dita, o que dificulta ainda mais toda a interpretação anterior, já que o contrário de uma grande verdade é uma verdade grande também. Rebentou-se a bolha de ar e accionou-se o piloto automático.

04/06/09

Não há peixe fresco, lamento

nâo tenho tempo para mandar POSTaS

27/04/09

iliteracia/literacia

Weight on my $houlders

How many summers will i wait? How long will i sit and wait on that boulder? How long will i sit and wait like a soldier? Why would i have to quit if time makes me older? Why do they wonder why i never get bored?!

25/04/09

Novas oportunidades

A elevada taxa de desemprego, em Portugal, é directamente proporcional ao número de anúncios de emprego que entopem o meu mail. Chego a ficar perturbada com esta incoerência, ao ponto de fazer contas de cabeça. Terá havido, com certeza, um erro de cálculo nos últimos resultados apresentados, pois nunca houve tanta oferta de bom emprego como ultimamente.
Consulto diariamente as novidades do mercado de trabalho e com a mesma frequência vou enriquecendo o meu vocabulário. Todos os dias, tenho a agradável surpresa de descobrir uma nova profissão. Não é maravilhoso? Desde operadora de embrulhos, a ajudanta de cozinha, não esquecendo juncionista de fibra óptica e promotora (m ou f). Mas estes exemplos constituem apenas uma pequeníssima amostra retirada dum universo tão vasto. É certo que o País está de tanga, mas continua fresco e muda-a todos os dias. Tem o cuidado de criar novas profissões para não ficar de rabo ao léu! Ora, falando de rabo, quem não quiser levantar o seu do sofá e desempenhar uma das funções supracitadas, terá sempre alternativas, pois a nossa altruísta sociedade, em prol do bem colectivo, pensou em tudo. Criou mecanismos infalíveis de enriquecimento fácil para o cidadão fisicamente passivo (embora intelectualmente activo): dobrar desdobráveis, ou desdobrar dobráveis (esta tarefa requer um alto nível cognitivo). Por outro lado, se preferir trabalhar fora de casa, ainda com a pretensão de ganhar uma quantia satisfatória sem suar, existem ainda, pelo menos, duas opções: se prefere trabalhar sozinho, poderá contribuir para o congestionamento do trânsito, enquanto conduz o seu veículo vinilizado do volante aos pneus a transpirar uma marca qualquer. Ao mesmo tempo capta o olhar do condutor vizinho, quer pela denunciadora condução sem destino, quer pelo seu ar abatido fruto de um emprego solitário, e fica cumprida a sua missão; Caso opte por uma actividade mais dinâmica, quiçá em equipa, poderá, por exemplo, distribuir publicidade em engarrafamentos. Bastante motivadora, esta função é realizada por objectivos, uma vez que é-lhe dada a possibilidade de açambarcar grandes somas (de moedas) como prémio, já que entre um flyer e um condutor há sempre uma gorjeta (ou um vidro).

Manifesto Anti-Depressões!

Abaixo as depressões! Uma geração caracterizada por depressivos é uma geração pior que rasca, à rasca ou enrascada. É como bater a clara de um ovo dezenas de vezes sem conseguir o efeito
lo.
te
cas
Pensar nela enerva-me, enche-me os pulmões de fúria choque, qualquer dia expiro fumo cromado. Odeio-Os! Odeio-Os! Odeio-Os todos! Os pseudo deprimidos, os deprimidos à força, os quero ser deprimido, os estou deprimido mas não faz mal, os estou deprimido mas não quero ajuda, os estou bem mas logo à noite vou ficar deprimido, odeio-os todos! Não há alma bondosa que os aguente, ou então também é, já foi, ou quer ficar deprimida!

24/04/09

Os malefícios de uma gravidez indesejada

Confidências no cabeleireiro


- Ontem vi um filme japonês mesmo giro...
- Qual?
- "Dare mo shiranai".
- Qual é o nome em português?
- Ninguém sabe!

23/04/09

Loneliness

09/04/09

05/03/09

XADREZ vs Damas

As regras são universais, o adversário, bom ou mau, é escolhido pelo jogador. Raros são os principiantes. O xeque-mate é duplamente amargo. Porém, depois do primeiro lance o desânimo não tem autorização, sequer, para manifestar um “Ai”! Lá por perdermos um ou dois jogos não quer dizer. A qualidade do jogo é directamente proporcional. A competição é saudável quando termina sem que nenhum dos jogadores alcance a vitória. Baixamos o nível (de dificuldade) e eis que surgem outros jogos: com outras tácticas, regras diferentes, outras defesas e peões quanto baste. Há alturas em que são muito convenientes, há outras em que jogamos só por acaso e surge o ”empate”, ou empatamo-nos. Mas independentemente do proveito tirado, propositado ou não, ficamos sempre com a sensação de que não era bem este o jogo…ganhar ou perder é-nos totalmente indiferente, até porque nunca perdemos, uma vez que o nosso objectivo nunca foi ganhar. Aliás não temos sequer um objectivo.

Este ultimatum deve ser RELEMBRADO pelo menos duas vezes ÀS GERAÇÕES CONTEMPORÂNEAS

01/03/09

Poesia Indie (com recortes e colagens e tudo e tudo!!!)

Aqui, diante de mim, Orfeu rebelde, canto como sou, No silêncio do parque abandonado, Cansada da uniforme rotação, Assim eu canto, sem me ouvir cantar. Veste-me a pequenez, E nas minhas palavras vou sentindo Carne da nossa carne, Apodrecida, Outros felizes... Canto como quem usa, Os versos em legítima defesa, Me confesso de ser tudo Que possa nascer em mim, Me confesso de ser eu, Aqui diante de mim! corta-troca-cola-inventa (Miguel Torga)

28/02/09

A-B

Nem sempre A, nem sempre B, Nem A.B Nem estes, nem aqueles, Nem como, Nem sempre, Nem só!